Uma deliciosa conversa ao pé do fogo!

Amo as estrela, pois mesmo tão distantes nunca perdem seu brilho, espero um dia me juntar a elas, e estar presente a cada anoitecer alegrando o olhar daqueles que amo

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O grito de Patrulha.


Lembranças da meia noite.
O grito de Patrulha.

              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seus estilos, seus fatos, suas histórias e tradições mais e mais entregamos nossos corações. Ele nos conquista de tal maneira que para muitos é difícil explicar. A cada dia que vamos prestando atenção a tudo que acontece em volta, uma marca vai ficando e nunca mais sai do nosso ser. E como marca. Hoje resolvi comentar sobre o Grito de Patrulha. Isto mesmo. Sei que vocês também sabem seu valor. Aqui comento sem o intuito de ensinar. Não se ensina o que todos conhecem tão bem como eu. Gritos são tradições imutáveis. Existe para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade aqui é um só. E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha.

             Cada tropa tem seu estilo. Cada uma tem sua história. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, bastão ao meio, todos ali segurando e o Monitor eleva acima o totem da Patrulha e dão o grito. Tem outras que se formam em linha e todos olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. Mas prestem atenção quando do grito. Por ele sabemos se a tropa está firme nos seus ideais, se a Patrulha é unida, se o oitavo artigo está ali presente sempre. Os gritos mostram muito. A valentia simpática do Monitor e o prazer e alegria do mais novo em participar.

            E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Mas sabem o que é mais importante? Nunca aceitar que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um. Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos ali passaram e deram este grito? Você está esquecendo que eles um dia junto a outros escoteiros que aí não estão mais gritaram alto, com toda a força dos seus pulmões? Sentiram a vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!

           Quando Escoteiro o grito era dado sempre quando se formava. Sempre quando o jogo terminava, sempre do inicio de uma atividade. E o grito ao levantar no acampamento? Alvorada, cedo, orvalho caindo, um frio danado e lá estávamos nós. Bastão ao meio, totem levantado e gritava! Que sono meu Deus! Que frio danado! Mas o grito era dado. Com chuva ou sem chuva lá estava a Patrulha a mostrar que tinha orgulho, tinha união e seu grito nunca podia ser esquecido. Nosso grito foi marcado em montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis, em ajuris, em ARP, e olhe uma vez eu e um membro da Patrulha com orgulho demos nosso grito orgulhoso quando estivemos ao lado de um candidato a presidente do Brasil. Depois de eleito foi uma decepção. Mas ele ouviu nosso grito, se assustou sorriu e disse – Sempre Alerta!

          Eu sei que existem os gritos de tropa, de grupo claro todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de ser mais um. E quando alguém vai embora? Nunca mais volta? Dá-se o grito da despedida. Sem choro, ali escoteiros e escoteiras não choram. É só uma maneira de homenagear, de mostrar que ele foi importante assim como o foi quando adentrou a Patrulha e o Monitor explicou a ele o porquê do grito, como era feito e que agora ele era mais um. E amigos, é preciso ver o olhar de um jovem novato quando do primeiro grito. Não existe nada que possa substituir o olhar, o sorriso a voz ao gritar, o ser a vibrar por dentro e dizer, agora eu sou mais um.

          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!


Boa noite meus amigos e minhas amigas. Desejo de coração uma ótima reunião neste sábado.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Ampulheta do tempo.



Lembranças da meia noite.
A Ampulheta do tempo.

                        O tempo passa. É mais que o relógio que marca as horas. Inexoravelmente. Algumas vezes ele deixa marcas, tristezas e alegrias, outras não. Marcas que ficam gravados na memória e até em nosso próprio modo de viver. Um dia, a beira de uma estrada com uma reta infindável eu comecei a notar a passagem dos carros em alta velocidade. Até aonde a vista alcançava eu via um automóvel pequenino que se aproximava e seu tamanho ia aumentando. E quando eu ia ver quem estava dentro dele ele passava tão rápido que não podia ver. Em grande velocidade ele em alguns segundos desaparecia na estrada sem fim. E assim veio outro e mais outro. Significava o que? Quem sabe a medição do tempo? Mas é possível medir o tempo? Dizem que ele passa tão rápido que nem percebemos.

                          Sei que não se pode medir o tempo. Filosofando seria possível dizer que ao nascermos alguém virou a ampulheta e nossa vida começou a ser contada. Tic tac, tic, tac. Claro, um dia está ampulheta irá ficar vazia. Durante nossa jornada, ela vai marcando o nosso tempo. Na primeira década estávamos a descobrir coisas. Aprender o certo e o errado. Brincar, sonhar, coisas de meninos e meninas. Na segunda década a puberdade. O mundo fácil de alcançar. O primeiro amor, a descoberta dos sonhos. Vem à terceira década. A escolha de uma cara metade para fazermos uma vida juntos para sempre. A faculdade, o emprego, os negócios, os sonhos deliciosos de um futuro promissor. Há quarta década começa a assustar. Nem tudo deu certo. Muitos dos sonhos não se realizaram. O poder, a riqueza, o ser feliz para sempre se tornou um conhecimento pragmático do mundo que ficou para trás. Há quinta década, a autoanálise. Valeu? Esqueci alguma coisa? Era o que queria? E aparece assim de repente há sexta década. A ampulheta está se exaurindo. É hora de pensar em tudo que realizou.

                           Lembro-me de tudo que aconteceu comigo. A mesa cheia de filhos, netos, genros, noras, sogra, cunhado. Alegria só. Olhava para todos e pensava que quando viraram a minha ampulheta nada daquilo existia. Era eu somente. A ampulheta não parou, produziu tudo aquilo que estava em volta de minha mesa. Era como um leque que aos poucos se abria. Sorria, pois apesar de tudo, de sonhos que não se realizaram, das fantasias esquecidas no fundo de um bornal, havia um “que” de felicidade. O tempo foi passando, pois assim passam todas as coisas do tempo. Esperar o próximo ano. Sem planos. Sem sonhos. Vivendo o dia como ele é. Fechar os olhos para não ver o automóvel sumir na estrada do tempo. Fechar a mente para não ver e sentir o último grão de areia da ampulheta da vida.

                           A cada ano eu dava um viva por chegar até ali. Mais um dia que o tempo vai me presentear. E quantos anos eu tenho mais? Não sei e não importa. Sejam bem vindos todos que vierem. Aproveitar os minutos e segundos que ainda posso ter. Ver meus familiares reunidos, barulhos, sorrisos, gargalhadas, Olhar a cerveja e aquele uísque com olhos brilhantes de não poder mais e pensar como eram deliciosos no tempo que um dia se foi. Em Eclesiastes, eu li um dia que – “Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: O tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de Abraçar e tempo de afastar-se. Tempo de amar e tempo de aborrecer. Tempo de guerra e tempo de paz”.

                           Melhor seria copiar Charles Darwin que foi verdadeiro em suas palavras – “O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.” E assim, de ano a ano em vou ficar a pensar quando será meu último. Melhor mesmo é não se preocupar. Cada ano vivido deve ser alegre e assim ainda sonho em viver muitos anos nesta marcha implacável e inflexível da Ampulheta do Tempo!


Boa noite meus amigos e minhas amigas. Durmam bem.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Lembranças da meia noite. Um dia...



Lembranças da meia noite.
Um dia...

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos dos sonhos que tivemos dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... Do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... Nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... Conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... Meses... Anos... Até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... Isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... Reunirmo-nos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... 

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Boa noite meus amigos e minhas amigas. Um bom sono e que a terça seja um ótimo dia.

sábado, 16 de novembro de 2013

Porque não posso abraçar você?




Lembranças da meia noite.
Porque não posso abraçar você?

Hoje me deu uma vontade de abraçar alguém. Uma vontade insuportável de abraçar um ser humano, de lhe dizer que desejo de coração todas as coisas boas e quem sabe até mesmo as que ele não merece. Vontade de dizer que a vida é linda e que vale a pena viver. Serei um louco a pensar assim? Sair pela rua a cantar aleluia abraçando a todos não iriam mesmo dizer que estou louco? Não podemos fugir da rotina que todos já estão acostumados. Ninguém aceita um abraço de um estranho. Abraço? Porque me abraça moço? Qual a sua intenção? Se insistirmos ela a pessoa grita ou se é mais forte pode me dar um safanão. Mundo cruel. Nem sincero podemos ser? Mas quem acredita na nossa boa intenção. Até mesmo amigos e familiares que não estão acostumados assustam. – O que deu nele? Pensam. Loucura perdeu o juízo? Mas quer saber? Eu não me importo. Abraço quando me dá vontade. Até costumo dizer bem alto – Sabe? Eu gosto de você.

Tenho andando por aí em Grupos Escoteiros. Logo quando chego dou um abraço ou vou rápido até o lobo ao Escoteiro ou a guia e o pioneiro e tento dar um sorriso e um abraço. Eles sorriem sem jeito, assustados pensando: - O que ele quer? Podem até acrescentar – Coisas de velhos Escoteiros. Costumo pensar como Matheus Bento que sempre dizia gostar do seu aniversário. Ele dizia que era o único dia do ano em que todas as pessoas o abraçam com vontade e desejam a ele coisas boas. Pois é. No próprio movimento nosso, que dissemos a todos ser uma fraternidade, mas que abraçar ainda assusta. Beijar no rosto pode? Pode. Só se for do sexo oposto, do mesmo sexo não. Aí podem pensar que somos o que não somos. Caramba, mas não somos irmãos? E a dificuldade para apertar a mão esquerda? De ficar firme nos dois pés e dizer Sempre Alerta?

Quem coisa “meu”. Quero abraçar e não posso? Quero sorrir e não posso? Quero dizer que te quero bem e não posso? Fico pensando nestes chefes que mantem a “carranca” de chefão. Falam grosso. Olham para a gente como se fossemos inferiores e eles Velhos Lobos importantes. E vá tentar dar um abraço neles. Ficam duros. Tentam se afastar e esqueça não dê um beijinho no rosto. Eles iram dizer coisas que não iremos gostar de ouvir. Capitão Fortuna, um Velho amigo meu dizia – Faça como Machado de Assis, ele dizia que há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas! Ele tem razão, pois se queremos fazer alguma coisa temos de lutar com determinação. Abraçarmos a vida com paixão. Sem perder a classe e ser ousado sem ser mal educado.  Como dizem por aí, o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante. E você? Posso lhe dar um abraço?


Boa noite meus amigos e minhas amigas. Uma ótima semana.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Escotismo, ainda é uma aventura?



Lembranças da meia noite.
Escotismo, ainda é uma aventura?

                        Costumo andar por aí aos domingos. Nada a fazer e devagar faço minha jornada observando e pensando. Isto me faz bem. Sem perceber passei na frente da casa de um antigo Escoteiro. Não o conhecia profundamente e poucas vezes mantivemos contato pessoal. Eis que no passeio em frente a sua casa o vi rodeado de garotos sorridentes a conversarem com ele. Foi uma surpresa, pois tem tempos que não vejo algum assim. Para mim inusitado. Não eram escoteiros pelo que pude perceber. Eram jovens da vizinhança e parece que já o conheciam há muito tempo.

                       - Vocês não conhecem o Movimento Escoteiro? Só de vista? – Pois olhem estão perdendo boa parte da juventude longe dele. Lá vocês teriam outros amigos para ampliar o leque dos que já tem. Poderão tomar decisões importantes para o crescimento e para a formação alem de que terão seu próprio time a decidir o que fazer. – Não acreditam? Bem tem muitos que pensam assim até ir lá e participar. – Lá não terão a obrigação de fazer nada do que não queiram. As decisões são em grupos e democráticas. Irão fazer lindas atividades ao ar livre, lá no campo dormirão em barracas, poderão ver as estrelas, aprender a se guiar pôr elas. Vão aprender a cozinhar, a lavar a louça, suas próprias roupas. Irão jogar os melhores  jogos de suas vidas.

                      - Mas isto não é bom? Eu sei que tem muitos jovens que não pensam assim. Mas a maioria como vocês eu sei que gostam de tomar decisões, em pensar por sí próprio. Mas tem mais, se forem lá irão praticar transmissões a distancia pôr bandeirolas, pôr Morse através de lanternas à noite, irão usar cordas para atravessar rios, despenhadeiros. Farão escadas de diversos tipos e pontes de diversos tamanhos. Irão também aprender a usar o machado, a respeitar árvores, fazer fogueiras, transmitir mensagens pôr fumaça pré-definidas. Irão fazer jornadas, com seus amigos escoteiros, aprenderão a ler mapas, fazer croquis, e se orientar pelas estrelas.

                     - Estou brincando? – Não meus jovens, nada  disso. Eu mesmo fiz tudo que estou dizendo há muito tempo atrás e olhe fiz muito mais do que isto. Se não acreditam, porque não vão até lá e verifiquem com seus próprios olhos? Um deles riu e falou para o Chefe: - Olhe Chefe, sem ofensas, eu mesmo tentei. Não aconteceu nada disto que você está dizendo. Só ficamos na sede, correndo prá lá e prá cá. Uns jogos que não divertia. Um Monitor mandão. Nunca nos consultou para nada. Só sabia gritar firme descansar e cobrir. Uma vez fomos ao campo. Os chefes ficaram horas preparando cordas para atravessarmos de um lado a outro. Ficavam segurando a gente com medo de cairmos. Parecia que éramos de louça. Eles não confiavam na gente. Aventura? Não vi nada disto. O Chefe Escoteiro ficou calado. – Tentou retrucar e dizer que não era assim. Eles não tiveram sorte no grupo que procuraram. Mas sem graça sorriu e voltou para sua casa.

                       - O cumprimentei, dei meu Sempre Alerta e ele sorrindo sem vontade retribuiu. Vi que ele colocou para os meninos de uma maneira fácil e correta do que é o escotismo. Qualquer jovem compraria esta ideia. Posso apostar. Mas e depois? Será que iriam ter isto no grupo procurado? Pensei com meus botões - Como seria bom se estivéssemos ainda fazendo um escotismo de aventuras, de descobertas. Poderíamos ajudar a esta juventude ou parte dela, que sem rumo segue por aí perseguindo o vento sem saber como fazer. Se os pais soubessem do valor do escotismo para ajudá-los na formação iriam ver de forma diferente o que veem hoje.   

                     Mas enfim, não adianta termos a isca. Precisamos aprender a usá-la para que dê resultados. Muitos estão preparados outros não. Escotismo é movimento e o movimento está fazendo o que melhor sabe fazer, motivar a moçada para estarem sempre esperando ansiosos a reunião no sábado seguinte. Mas será que é isto mesmo que está acontecendo em alguns Grupos Escoteiros?


Boas noites amigos e amigas. Durmam bem e uma ótima quinta.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sinto vergonha de mim!



Lembranças da meia noite.
Discurso feito no Senado Federal em 14 de dezembro de 1914.
Autoria: Rui Barbosa

Sinto vergonha de mim!

Sinto vergonha de mim, por ter sido educador de parte deste povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade, e por ver este povo já chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim, por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos ‘floreios’ para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre ‘contestar’, voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor, ou enrolar o meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo deste mundo!

‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude. A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto’.


Boa noite meus amigos e minhas amigas. Um bom sono a todos!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A Escola da Vida.



Lembranças da meia noite.
A Escola da Vida.

Que escola é essa? Autorizada pelo MEC? Risos. Não. É uma escola onde se aprende a fazer fazendo, ouvindo e vivendo. Dizem ser uma escola escoteira, mas conheço muitos que passaram por ela e não foram Escoteiros. E olhe se saíram bem com nota acima de dez. Ela não diminui as demais quem sabe aumenta o saber. Sei que muitos já falaram sobre ela e sei também que ninguém até hoje reivindicou seu nome. Não vi no INPE ou no INPI nenhum pedido como fazem com tudo do escotismo. Eu ouvi falar desta escola por Baden-Powell e nem sabia que já estava matriculado. Ele sempre falava na Escola da Vida. Quando mais jovem eu pensava que escola é esta? Qual seria seu curriculum? Só matérias de escotismo? Não. A escola nos ensina tantas coisas que nenhuma outra tem um curriculum tão extenso. O bom desta escola é que não tem taxa mensal. Seus professores atuam sem salários e como em toda escola tem os bons e os ruins. O melhor de tudo é que são milhões ou quem sabe um número menor, pois eles estão sempre ao seu lado ou a sua volta no seu dia a dia.

Não existem matérias importantes e a principal é a aprender a amar o seu próximo. Material difícil que leva anos para se chegar ao final do curso. Dizem muitos que não acaba aí ela continua além da vida. Você entra na Escola da Vida desde que nasceu. Vai absorvendo os ensinamentos e à medida que vai crescendo muitas vezes depende de você ser um aluno dedicado sabendo separar o joio do trigo. Não existem finais de ano. É uma escola que funciona interruptamente. Também não enviam boletins mensais e nem anuais. O diploma você recebe quando conclui que a Escola da Vida foi importante na sua vivência de vida. A maioria dos alunos sempre chega ao final do curso quando se aproxima à terceira idade. É nela que se analisa o quanto se aprendeu e interessante – A maioria continua na escola. Ninguém faz gazeta da desculpa para não ir, finge-se de doente, pois agora o interesse é bem maior.

Eu sou um aluno dedicado nesta escola. Eu absorvi o máximo que podia. Amei a cada momento que passei por ela. Adorei os meus professores estes eternos desconhecidos e conhecidos e muitos já deixaram de lecionar. Nosso fundador Baden-Powell dizia que nesta escola temos o compromisso de nos tornamos úteis e felizes. Dizia também que as escolhas que fizermos quando criança irá nos dar a base para sermos bons cidadãos. Ele insistia que o escotismo também é uma Escola da Vida ele o nosso movimento não é um manual para seguir a risca e aprender como viver. Na filosofia que ele nos trouxe diz que a nossa aprendizagem é para semear a todos o que há de melhor no contato com a natureza e com o mundo daqueles que nos rodeiam. Finalizou dizendo que só assim poderemos colher o fruto de uma felicidade sincera nas gerações vindouras.

Ninguém pode deixar ou fugir da Escola da Vida. Não é uma escolha pessoal. Você pode não ligar para ela, mas sempre ela estará viva a sua volta e na sua mente. Pode-se sim passar por ela sem nada aprender e sem ambições de se tornar bom ou útil a coletividade. Isto também faz parte de matérias desta escola. Ela sabe que um dia iremos retornar e não adianta nos matricularmos ou não, pois a escola não escolhe e nem decide quem é seu aluno. Esta inscrição vem lá do alto. É automática. Aproveite ao máximo as matérias desta escola e assim você só terá alegrias e nunca tristezas.


Boa noite meus amigos e minhas amigas. Durmam bem e que a quinta seja um ótimo dia para aprender muito. Sejam felizes é meu desejo sincero.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

As estrelas moram no céu.



Lembranças da meia noite.
As estrelas moram no céu.

Eu gostava de contar estrelas, uma, duas, três... E quando perdia a conta voltava de novo a contar e sempre a perder de vista a multidão de estrelas lá no céu. Aprendi nos lobos há tempos e tempos atrás. Estrelas no céu me fazem sonhar, sempre sonhei em andar no meio delas como na melodia Chão de Estrelas. – “Mas a lua, furando o nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão, tu pisavas os astros distraída, sem saber que a ventura desta vida é a cabrocha, o luar e o violão”! Fui crescendo contando estrelas, me via velejando num barco a vela no meio delas, perdido e embriagado com tanto encanto. Quantas estrelas eu contei? Milhões? Bilhões? Números infinitos, me perder no meio delas quem sabe poder tocar e sentir a caricia do seu frescor? Do seu calor? Do seu brilho? Eu gostava de contar estrelas... Ainda Escoteiro me animava a deitar na relva e ver aquele espetáculo que só Deus poderia explicar.

Eu sempre gostei de contar estrelas, aquelas que moram lá no céu. Contei estrelas em lugares incríveis, montanhas impossíveis, picos indecifráveis. Sempre descansando a cabeça na grama, em uma pedra, ou a velha mochila companheira de aventuras. Tentei e não consegui contar estrelas em Caparaó. Sempre premiado com belicosas nuvens brancas a perder de vista. As estrelas quem sabe envergonhadas se escondiam por trás dos astros e eu relutante ali a olhar para o céu e eu só via a bruma branca, opaca não me deixando ver. Eu gosto de contar estrelas... Uma, duas, três, quatro... Foram tantas! Em Itatiaia um espetáculo inesquecível. Nas Montanhas do Morcego elas perdiam de vista. Nas planícies de Crenaque eu esquecia de dormir. Deus criou tudo em sete dias? Tantas estrelas no céu e eu nunca consegui saber quantas são. Perfeição do criador. Criou tantas coisas lindas, criou o nascer do sol, o por do sol se escondendo no mar imenso. O vento! Sim o vento amigo que nos acaricia o rosto no sol escaldante. Será que ele acaricia as estrelas?

Eu gosto de contar estrelas... Uma, duas, três, quatro... São tantas! Nenhum sonho é maior do que deixar o corpo solto e deitar em volta do fogo, noite alta, inclinado de olhos abertos em volta amigos, brasas adormecendo, fagulhas serenas pensando em subir aos céus... Quem sabe para contar estrelas. As belezas do mundo são nossas e o Escoteiro pode sonhar com elas, abraçar com elas, e... Contar estrelas! Privilégios que Deus no deu. Sentir a brisa caindo, molhando as folhas verdes a espera do sol, vendo a lua que se foi. A lua é linda, mas é uma só. As estrelas? São muitas perdidas no céu. Têm as pequenas, as grandes e não esqueço quando me deitei após um gostoso fogo de conselho lá para os lados da Pedra da Mina e dormi. Acordei antes de a madrugada nascer. Uma enorme estrela estava lá no céu. A estrela D’alva reinava como uma rainha cercada de milhões de outras estrelas. Foi um dos mais belos espetáculo de estrelas que um dia consegui ver. Parecia que as estrelas dançavam, em um lindo balé em volta dela. Sem perceber milhões de violinos começaram a tocar o Lago dos Cisnes e se Tchaikovsky ali estivesse eu tenho certeza que estaria de calça curta ao meu lado maravilhado em ver milhões de estrelas cintilantes nesta grandiosa abóboda celeste, um firmamento impossível de se tocar e... Contar...

A vida não para. Fui crescendo mais, homem me tornei e a idade não mais me deixou contar estrelas. Hoje as procuro no céu claro da minha morada e não as vejo. É, moderno isto. Não se pode mais contar estrelas, mas eu não desisto. Vou continuar insistindo e um dia quero de novo deitar na relva, próximo a um fogo adormecido onde as fagulhas relutam em subir aos céus, quem sabe para não atrapalhar a maravilha do firmamento e eu então começarei do zero, de novo a contar estrelas... Uma, duas, três quatro...


Boa noite meus amigos e minha amigas. Muito contente hoje. Acho que sábado dia dois estarei no Campo Escola do Jaraguá, pela manhã, vendo o movimentar de meninos e meninas Escoteiros que ali vão juntos viver a natureza em um acampamento Distrital. Quem sabe eles poderão contar estrelas? Acho que vai ser bom. Faz anos que não estou junto deles. Não acamparei lá, voltarei logo, pois não quero atrapalhar. Durmam bem, eu? Também vou tentar, mas pensando que estou vendo o céu, milhões de estrelas e eu estou contanto... Uma, duas, três, quatro... Eu gosto mesmo de contar estrelas... 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Isto não existe mais?


Lembranças da meia noite.
Isto não existe mais?

               Não existe mais? Olhar o seu calçado para ver se está limpo? Olhar seu cinto para ver se a fivela está brilhando? Ver seu meião se está com as estrias retas? Ou então se ele no alto está dobrado com a medida de três dedos? Não? Não existe mais? Então ninguém mais se olha no espelho para ver se está condignamente uniformizado? Se o lenço foi bem dobrado e perfeitamente colocado parte com parte? Não existe mais? Olhar se as unhas estão cortadas, se o cabelo foi penteado, se no bolso estava à moeda da boa ação, o lenço e o pente? Isto não existe mais? Um pequeno lembrete para contar ao Monitor e ao Chefe a sua melhor boa ação da semana? Considerar ponto de honra à limpeza da área da sede? Não jogar papel no chão, até o mais humilde palito vai para a lixeira? Fazer de tudo para ser o primeiro a dar Sempre Alerta? Não existe mais?

              Dizer para a mamãe que lavou sua roupa no acampamento? Mostrar para a mamãe que toda a roupa que levou está limpa, pois você a lavou no acampamento? Sorrir para o Monitor quando ele perguntar se ainda se lembra do sétimo artigo da lei e você diz sem pestanejar? O orgulho de fazer quinze nós Escoteiros e mais quinze de marinheiro de olhos fechados? Não existe mais? Tirar sua faca da bainha e mostrar que está limpa e você passou um pouco de talco para não enferrujar? Entregar dentro das normas escoteiras ao companheiro a faca, a machadinha e o facão? Sentir orgulho quando Chefe fazia a inspeção e seu material estava posto corretamente nos moldes de Giwell? Não existe mais?

              E quando você afiava uma ferramenta com perfeição? Nunca esqueceu quando transmitiu 35 letras em um minuto nas semáforas? Ou então quando junto ao seu amigo de patrulha construíram uma pequena cigarra e se orgulharam de transmitir os sinais de Morse em quarto diferente? Isto não existe mais? E quando acendeu sua fogueira com um palito? E quando cozinhou seu arroz e fritou os peixes que pegou naquela noite chuvosa? E quando sua patrulha construiu um Ninho de Águia no Jequitibá do acampamento? E aquela ponte pênsil no Riacho do Tatú? E aquela barraca suspensa que de madrugada caiu? E quando quase conseguiu tocar no Quati na Mata do Rio Pomba? Isto não existe mais? E quando O Josiel quebrou o braço naquela jornada e você fez uma tala de madeira protegida por lenço e tudo deu certo? E quando você manejava a bússola com perfeição e sabia seguir um mapa, um croqui ou um percurso de Giwell? E na sua jornada de Primeira Classe onde quase se perderam no vale do Rio Doce? Isto não existe mais?

             E quando iam dormir, você e sua patrulha ajoelhavam no capim molhado e rezavam agradecendo a Deus pelo dia? E na alvorada de short a fazer a educação física com um frio de doer? E as noites na porta de sua barraca com um foguinho aceso a patotear com seus amigos com causos e causos e davam belas risadas? E quando passaram mal por comer muita batata doce? E fazer mil e uma armadilhas para pegar um pássaro grande e fazer um belo assado? E os bagres e mandis do Córrego do Boi que não conseguiam fisgar? Isto não existe mais? E das jornadas noturnas, dos bivaques sem fim, a tropa alegre a cantar o rataplã? E quando acordaram as quatro da matina só para ver o nascer do sol no Pico do Papagaio na Serra da Mantiqueira? Isto não existe mais?


Boas noites meus amigos e amigas. Eu rezo para que isto ainda exista, pois é a essência do escotismo. Fora do campo o Escoteiro e a Escoteira são como peixes fora d’água. Durmam bem e boa semana. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O destino de uma linda árvore frondosa que amei.



Lembranças da meia noite.
O destino de uma linda árvore frondosa que amei.

Eu a descobri por acaso. Não mais que a um quilômetro da minha residência. No final da Rua dos Afonsos. Nada que uma pequena caminhada para chegar até ela. Vi que era uma linda figueira. Enorme, Copada, uma sombra incrível ela produzia. Estava no meio do nada. Um matagal no final de rua. Apaixonei-me por ela. Durante três dias limpei o mato e o lixo em volta de sua sombra. Alí a gente se escondia. Pensei em plantar gramas e flores. Até que plantei uns chapéus de couro, lírios, flor de laranjeira, crista de galo e todas se deram bem. Era meu cantinho. As tardes pegava um livro, jogava nas costas uma cadeira de praia e lá ia eu. Sentava-me refastelava, sem nenhum barulho e viajava em meu livro nas paginas que me levavam a terras longínquas de um mundo fantástico. Li uma dezena de livros acobertados por aquela arvore que passei a amar.

Minha bela vida de tardes sombreadas durou pouco. Um ano depois quando lá cheguei encontrei uns homens da prefeitura. Faziam medidas aqui e ali. – Oi! O que é isto? Perguntei. - A nova avenida. “É o progresso chegando” Isto aqui vai ficar mais agradável. Muitos carros, ônibus, novas casas você vai gostar! Olhei para ele. Coitado. Não sabia que a nova civilização não trás a felicidade. E minha árvore? Perguntei. Vai ser cortada. Ela fica bem no meio da avenida. – O que posso fazer para vocês deixarem ela viva? – Nada meu amigo. Nada.

Demorou seis meses. Vi com tristeza em uma manhã de segunda, caminhões, tratores a caminho do meu sonho das tardes assombreadas. Minha árvore ia partir. Ainda bem que estou "Velho". Logo, logo também irei partir. A natureza não é mais a mesma. Não há respeito. Ela é jogada como lixo em todos os lugares. Voltei para minha varanda. Ainda tinha meu canto. Mas que saudades da minha linda árvore que um dia achei que ia durar para sempre!
A árvore da serra
— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... No junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui Minh ‘alma! ...

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva”!
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
Augusto dos Anjos.

Até amanhã meus amigos e minhas amigas, uma boa noite, uma bela madrugada e um fantástico amanhecer junto ao nosso Deus! 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Quando eu voltar a ser criança.

Lembranças da meia noite.
Quando eu voltar a ser criança.



Não existe nada nesse mundo que nos faz emocionar mais que uma criança. Não importa qual criança seja. Podem ser as que nasceram em berço de ouro e as que nasceram nas palafitas e favelas. Se olharmos para uma criança doente, ou portadoras de necessidades especiais, seja ela física e/ou mental nosso coração bate forte. Todas as crianças são lindas e se vermos a falta de um sorriso procuramos de pronto tentar fazê-las sorrirem. Rosana Pinheiro disse que nas mãos das crianças o mundo vira um conto de fadas, porque na inocência do sorriso infantil, tudo é possível, menos maldade. Dizem que crianças são anjos, são pedaços de Deus que caíram do céu para nos trazer a luz vida que há de fazer ressuscitar a verdade que vive escondida em cada um. A criança não cultiva inimigos, muitas vezes sua tristeza é momentânea. Ela não enxerga o feio, o diferente e o bonito. Não liga para a cor e nem sabe diferenciar a raça dos que estão ao seu lado.  

Mandela na sua sabedoria disse que ainda há gente que não sabe quando se levanta de onde virá à próxima refeição e neste caso existem crianças que com fome choram. As crianças são quase sempre felizes, porque não pensam na felicidade. Os velhos são muitas vezes infelizes, porque pensam demasiadamente nela. O escotismo é um manancial de belos sorrisos. Ver um lobinho sorrir é uma paga que poucos têm. Quando o acantonamento é um evento esperado o lobinho sonha. Passa dias só pensando nele. Gritar com uma criança, chamar duramente sua atenção pode ter efeito boomerang. O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade. Precisamos entender que a criança é a consagração da vida.

A uma parcela dos associados que pensam mais nos pequeninos. Querem eles também nos Grupos Escoteiros. Alguns os chamam de castores outros de Pré-cubs idade inferior aos dos lobinhos. Tem outros nomes que os definem também como pata tenras iniciantes. Fico pensando quando eles estarão em ação. Falta muito, mas já pensou você olhar para aqueles pequeninos e vê-los sorrir? Jogar, cair, levantar e cantar? Sei que infelizmente por falta de condições financeiras seria difícil pensar nos mais humildes junto a nós. E aqueles de necessidades especiais? Mas acredito que seus sorrisos irão pagar a todos que um dia resolveram se jogar de corpo e alma nas atividades desses pequeninos que ainda não são reconhecidos pela nossa autoridade máxima.

Hoje ainda assistindo um programa vi nele crianças que partem nosso coração e queremos de qualquer maneira ajudar. A saúde em um adulto machuca, mas em uma criança dói fundo. E bom saber que somos milhares a lutar pelas crianças. Ainda bem que o sol e a chuva ou até outros empecilhos que aparecem em nosso caminho não desistimos. É sim pelo sorriso. Pela felicidade deles que continuamos firmes em nosso ideal de educador. Não vou me alongar muito. Deixo com vocês o pequeno poema de Janusz Korczak:
  
Vocês dizem:
- Cansa-nos ter de privar com crianças.
Têm razão.
Vocês dizem ainda:
- Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão.
Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado.
Estão equivocados.
Não é isso o que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças.
Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão.
Para não machucá-las...


Boa noite meus amigos e amigas. Um sono gostoso, pois amanhã é dia dever suas crianças e com elas sorrir. Parabéns! 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Quando a primavera voltar quem sabe... Eu voltarei ao Campo Escola.



Lembranças da meia noite.
Quando a primavera voltar quem sabe... Eu voltarei ao Campo Escola.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...

Saudades que nunca terminam. Saudades que vieram para ficar. Boas lembranças do Campo Escola. Era como se eu estivesse aventurando na minha infância nas Matas do Tenente, ou nas Florestas infinitas do Rio do Peixe. Eu gostava de lá. Muito mesmo. Em poucos minutos eu me transportava de uma selva ou um deserto de Pedras Altas para o mais puro ar que se respira. Só quem conhece sabe como é o aroma de folhas, galhos, árvores enormes a esconder o sol que a seu modo tenta penetrar em pequenas olheiras de galhos entrelaçados naquele lugar mágico. Muitas vezes o som birrento de uma máquina de aço a mesma que me transportava para aquelas paragens verdejantes eram esquecidos. À medida que me aproximava da redenção eu me transformava em puro deleite de felicidade, não só pela vista maravilhosa, como daquele pequeno lago, construções simples encravadas em síndrome de sombra de por do sol. A pequena construção de pau a pique, abertas na lateral, para mim só tinha o significado de ensinar, passar aqueles que ali estavam o saber que um dia nós dirigentes adquirimos.

Quando não estava presente com os alunos amigos, eu me tateava para o pequeno descampado, sentava a beira de uma pequena árvore que muitas vezes teve em seus braços a bandeira arvorada. Eu ficava olhando as demais que se fechavam em copas, como se fossem intransponíveis para uma exploração de um mateiro Escoteiro que quisesse desvendar seu segredo. Nem a gigante antena do mais alto pico ali a gente via. Era como se sentir bem perto do céu! Pássaros que voavam no seu habitat, eu tive a honra de encontrar uma Preguiça, com seu olhar meigo, sem medo deixando-me aproximar, ela com seu olhar cativante com passadas contadas em horas para transportar de galho em galho. Quantas corujas em vi? Um tatu-canastra, bugios aos montes a rirem de mim. Sempre que ali estava me lembrava de Gonçalves Dias que em seu lindo poema narrava: - “Minha terra tem palmeira, onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

Era um deleite as noites e os dias escondidos naquele habitat especial, naquele grotão infinito, plena natureza da Selva de Pedra. As noites o céu era lindo, milhares de estrelas e em noite de lua cheia. Era incrível! Tantas saudades que me veio à mente o que Kipling escreveu sobre ela: - Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça da lenha? Quem já ouvir o crepitar do lenho ardendo? Quem é rápido em entender os ruídos da noite? Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se voltem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido! É meu amigo Gonçalves Dias, seus escritos se misturam com as belas lembranças, naquele território Escoteiro onde me sentia mais perto de Deus. “Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores. Mais prazer encontro lá”. Lá? No Campo Escola dos tempos idos. Para quem viveu junto as Palmeiras, bromélias, begônias, orquídeas, cipós e briófitas, pau-brasil, jacarandá, peroba, jequitibá-rosa tantos e tantos outros que nunca mais vou esquecer...

Soube por uma amiga que irão me convidar a voltar lá. Não sei se quero ir, pois se passaram quase trinta anos e ninguém se lembrou de que eu gostaria de reviver o passado. Tempos demais. Será que ainda vou ver o que eu vi? Ainda vou viver o que eu vivi? Não sei. Gostaria de reviver o passado como ele foi. Que tivessem preservado o encanto que vi com meus olhos que a terra vai comer. Vamos esperar. Enquanto isto vou cantando e filosofando Alberto Caeiro:

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...

Boa noite meus amigos e minhas amigas. Um ótimo sono reparador. Ate amanhã!





segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Como agradecer a quem merece ser agradecido?

Lembranças da meia noite.
Como agradecer a quem merece ser agradecido?



Aqui recebo sempre comentários de amigos e amigas me incentivando a continuar minha saga de pseudo-escritor, forjado sem eira nem beira em um caminho qualquer desta nossa estrada da vida. Estou indo aos poucos e aprendendo a caminhar nesta trilha estreita cujos mais poderosos escritores já percorreram. Nunca serei um deles, mas me esforço para mostrar um escotismo autêntico a todos meus amigos. A gente sempre pode apreciar a vereda que percorri, a variante que não entrei o rastro que não deixei no atalho que esqueci. Escrever hoje faz parte de mim. Vai ser difícil suportar um dia a falta da escrita que me da ânimo de viver. Se um dia acontecer e sei que vai acontecer já estou abrindo novas trilhas para continuar onde estiver. Desvendarei todos os sinais de pista que aparecerem. São velhos conhecidos meus de tempos exploradores de um passado que ficou lá bem atrás.

Um amigo disse que eu deveria ser um tipo articulista/jornalista a comentar o dia a dia do nosso mundo, do nosso país, de nossa cidade. Quem sou eu. Longe de mim. Só escrevo o que conheço, pois preciso saber onde piso. Escotismo para mim é feito de terra batida, sem areia movediça em um terreno que já piso e já pisei. Sei aonde vou e não irei cair em uma armadilha que não fiz. Ele o meu amado Escotismo para um Velho Escoteiro não tem segredos. Esta é uma trilha onde não me perco. Podem ter trovões, raios, rios intransponíveis a me jogarem em uma estrada sem rumo, mas escotismo não. Ele sabe que não pode se esconder de mim. É um velho amigo preso no coração da imortalidade.

Hoje resolvi agradecer as palavras, comentários de amigos e amigas que me enviam. São muitas. Impossível transcrever aqui todas elas. São nas postagens, no meu e-mail, nos meus blogs e em vários outros lugares. Tirei uma das centenas que guardei. Por ela homenageio a todos os que um dia me deram a honra de comentar mês escritos. Obrigado Otília. Faz tempo que postou esta, mas me emocionei. Obrigado mesmo. Que todos se sintam aplaudidos. Que todos se sintam saudados. Pensem que estou presente agradecendo pessoalmente a cada um como um aperto de mão forte, com uma saudação sincera, com um pipocar dos meus lábios dizendo um Sempre Alerta gostoso e sorridente.

- “Chefe Osvaldo, ontem mesmo na reunião eu estava comentando com a chefia e diretoria do grupo sobre suas crônicas, dizendo que deveria ser leitura obrigatória a todos os pais, e aos meninos que desejam entrar no movimento escoteiro, por ter um cheiro de terra molhada, de comida de acampamento, de cansaço, de aventura, de desafio e muito de espirito Escoteiro”.
Só discordo do senhor, se assim me permite quando fala que é um velho Escoteiro. Se ser escoteiro é ser jovem o senhor é ainda muito jovem, e rejuvenesce ainda mais quando se lembra das historias vividas e nos ensina através delas.
Muito obrigada mesmo!

Não se acostume com o que não o faz feliz,
Revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
Mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!


Boa noite meus amigos e minhas amigas. Um sono reparador, e mais um dia que virá para iluminar seu coração.

sábado, 12 de outubro de 2013

Lembranças da meia noite. Quando...

Lembranças da meia noite.
Quando...



Quando eu voltar a ser criança...
Quando eu conseguir acariciar a lua cheia...
Quando eu pegar carona na cauda do cometa...
Quando eu conseguir dançar o funk...
Quando eu esquecer que sou feliz...
Quando eu saltar de paraquedas no espaço...
Quando eu deixar de amar minha Celinha...
Quando eu conseguir voar pelos céus sem asa...
Quando eu esquecer minhas origens escoteiras...
Quando eu não amar mais o nascer e o por do sol...
Quando eu deixar de sorrir quando encontrar meus netos...
Quando eu esquecer o Sempre Alerta e falar o famigerado SAPS...
Quando eu voltar a dar cursos em estados brasileiros...
Quando eu parar de escrever meus contos Escoteiros...
Quando eu esquecer meus amigos virtuais do Facebook...
Quando eu puder ser um astronauta e morar na Estação espacial...
Quando eu viajar no espaço sideral a bordo da nave estelar...
Quando eu for convidado pelo doutor Spock morar a bordo da USS Enterprise...

E quando tudo isto acontecer eu...
Irei me benzer de cima em baixo e eu...
Neste dia fatídico e fantasmagórico eu...
Irei envergar esta nova vestimenta escoteira e...
Farei parte da turma que já estão vestindo e gostam e...
Ficarei com os olhos vermelhos de vergonha e...
Irei virar um ermitão Escoteiro no pico da Neblina e...
Neste dia, irão cair raios sobre minha cabeça e...
Neste dia, irei esgotar minhas lagrimas de arrependimentos e...
Neste dia, eu tenho certeza, estarei no céu a cantar o rataplã e...
Serei recebido como herói pelos amigos Escoteiros que lá estão e...
Direi que assim seja, e chorando irei pedir a Deus para me perdoar.

VIVA O MEU UNIFORME CAQUI QUERIDO!


Boa noite meus amigos e amigas. Um post da meia noite para divertir, pois cada um de nós sabe onde o sapato aperta. Durmam bem e um ótimo domingo.