Uma deliciosa conversa ao pé do fogo!

Amo as estrela, pois mesmo tão distantes nunca perdem seu brilho, espero um dia me juntar a elas, e estar presente a cada anoitecer alegrando o olhar daqueles que amo

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Conversa ao pé do fogo. Hinos canções Ajuris e o escambal.


Conversa ao pé do fogo.
Hinos canções Ajuris e o escambal.
“No grande jogo da vida, a Lei do Escoteiro é a nossa Lei”.
Chefe João Ribeiro dos santos.
                                                                                        
Viemos do norte, do sul e do leste, viemos do oeste,
de todo Brasil. Das praias, dos papas, Dos campos dos montes e
Dos horizontes de todo Brasil. Das grandes cidades,
Das vilas mais belas, Das casas singelas De todo Brasil.
Mochila nas costas bandeiras ao vento.
Para o acampamento de todo o Brasil 

        Eu gosto de cantar. Saudades de uma viola, uma harmônica a tocar em uma clareira em uma noite de luar. Ouvir sinfonias Escoteiras as mais belas no piscar das estrelas e junto a amigos queridos. Ninguém esquece as horas que passamos em volta de uma fogueira, vendo uma ave trigueira a passar por ali... E sorrir batendo suas asas ao sabor do vento e partir. O Escoteiro e rápido em entender os ruídos da noite, as fagulhas que dançam como fantasmas amigos e desaparecem no céu. – De onde é você? Sou do norte diz um escoteiro em alto e bom som. – E eu do Sul diz sorrindo um gaúcho qualquer.  – Não se esqueçam de mim sou do leste e este é meu amigo do oeste. Viemos de longe de todos os horizontes do rincão brasileiro. Tem muitos de nós a voar por aí nas asas ligeiras da imaginação e dizer: - Nasci em grandes cidades, morei nas vilas mais belas, em casas singelas de meu Brasil brasileiro. Sou peão sou boiadeiro e hoje Escoteiro com minha bandeira solta ao vento, eu estou indo para o acampamento de todo Brasil!

Se ele é gaúcho. Você do amazonas, De baixo da lona são todos irmãos
Qualquer cor ou classe,  Qualquer raça ou credo
Despertam bem cedo são todos irmãos
Fazendo a comida universitários Peões e operários
São todos irmãos. Nascido em palácio, nascido em favela
Lavando a panela, são todos irmãos.

                  Escotismo é assim, a gente dá as mãos, um sorriso, um sempre alerta gostoso, e se ele é gaúcho valente, ou se é um amazonense, não importa, pois debaixo das lonas são todos irmãos. Não importa quem você é, se é escoteiro é amigo sincero, e não importa sua classe ou cor, seja de que raça ou credo for. Esperamos alegre o amanhecer, agora somos todos irmãos, e quando formos fazer a comida, se eu sou peão de boiadeiro e você universitário brioso brasileiro não importa somos todos irmãos. Olhe ali aquele, nasceu em um palácio de ouro e o outro na favela dos anzóis, mas agora juntos cantando no riacho, lavando as panelas eles dão as mãos, pois são todos irmãos. Aqui não se chora, aqui se ama, corremos pelos campos, brincamos de farol, na praia do arrebol. É bonito demais, a Escoteirada jogando a laçada fazendo mais amigos seja de onde for.

O Ajuri Nacional, Do Rio de Janeiro,
É o marco triunfal do ano escoteiro,
Comemoramos o centenário de Baden-Powell o fundador,
E do escotismo o cinqüentenário,
Do acampamento da Ilha de Browsea,
Na Ilha do Governador.

              É uma epopeia que poucos puderam viver. Viver nas campinas, nas praias mais lindas, sentindo o sabor do vento, nos acampamentos de todo Brasil. Quem não foi viveu lá também. Se nasceu em outra era está lá também. Afinal esta toada, tocada em noite enluarada encantou os céus do Brasil. Não existe ninguém que se vestiu Escoteiro e cantou o ano inteiro não se lembre desta prosa, que de tão formosa ficou para sempre no coração de todos nós. Podemos um dia nesta terra querida aprender outra canção, mas igual a esta, desculpe eu não sei não!


Nota – Em comemoração ao centenário de nascimento de B-P e os 50 anos da fundação do Escotismo, a UEB realizou em fevereiro de 1957 no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador Zona Norte do Rio de Janeiro, o II Ajuri Nacional, cuja a Canção “AJURI NACIONAL” composta pelo Chefe João Ribeiro dos Santos, falecido em 19/03/1970, aos 59 anos, é lembrada até hoje nos cancioneiros escoteiros. 

sábado, 16 de maio de 2015

Olavo Bilac comenta sobre o escotismo em 1916.


Conversa ao pé do fogo.
Olavo Bilac comenta sobre o escotismo em 1916.
(Copia fiel do que foi escrito nesta data)

“Trecho da Conferência realizada em Belo Horizonte, em 26 de agosto de 1916. – Publicado em 1929 em Niterói pelas Oficinas Gráficas da Escola Profissional Washington Luis”.

                   “A escola dos escoteiros, uma das células primárias do organismo da educação cívica e da defesa nacional, tem um objetivo que se resume em breves linhas”. É a educação completa dos adolescentes. O escoteiro, desde que se inicia no tirocínio, anda, corre, salta, nada monta a cavalo, luta defende-se, maneja armas; mantem-se num constante cuidado do asseio do corpo e da alma; afasta-se da pratica de todos os vícios; adquirem noções de física, chimica, botânica, astronomia, anatomia, geographia, topographia, astronomia; orienta-se pelo sol, pela posição das estrelas, pelo relógio, pela bússola, manuseia o termômetro e o barômetro, mede o caminho que percorre; estuda os mapas; sabe acender o fogo e cozinhar; faz acampamento; recebe e transmite comunicações pelos telégrafos Morse e Marconi, por meio de luzes, de sinais por bandeiras e pelos gestos dos braços; instintivamente aprende tática e estratégia; pode eficazmente socorrer feridos e vitimas de quaisquer desastres; alimenta e desenvolve os seus nobres sentimentos; abomina a mentira; reputa sagrada a sua palavra de honra; é disciplinado e obediente; é cortes; considera como irmãos os seus companheiros, ampara as mulheres, os velhos os enfermos; opõe-se a crueldade sobres os animais; é econômico, mas condena a avareza; respeitando a própria dignidade, respeita a dignidade alheia; é alegre; esforça-se por dizer claramente o que sente e exatamente descrever o que vê; pensa, raciocina, deduz; e enfim, conhece a historia e as leis do seu pais; é patriota e estimula a sua iniciativa.

                      Basta isso para que se veja que, no escotismo, se inclui todo ensino da infância e da adolescência. “Como o compreendia Platão, dizendo: “a educação tem por fim dar ao corpo e ao espírito a beleza e toda a perfeição de que eles são susceptíveis”“. E como concebia Spencer, professando: -  “a educação é a preparação para a vida completa”. Esta admirável escola ao ar livre abrange todos os pontos, que se contem no programa da moderna pedagogia. Primeiro, a instrução física: a conservação ou o restabelecimento da saúde, pela higiene e pela medicina e o desenvolvimento normal e progressivo de todas as funções de corpo, pela ginástica e pelos jogos escolares. Depois, a instrução intelectual: o adestramento dos cinco sentidos, a percepção externa e a interna, a cognição e a experiência; a consciência, a personalidade, e a liberdade; a faculdade de conservação - a memória; e as faculdades de elaboração - a atenção, a abstração, a generalização, juízo, o raciocínio, e a imaginação. 

                  Enfim, a instrução moral; a sensibilidade, e a sua cultura; o amor próprio, o amor e o respeito da propriedade, foi livre arbítrio, da independência, da emulação; o altruísmo, a benevolência, a beneficência, a amizade, a docilidade; o amor da pátria, do belo e do bem; o brio, a coragem, a disciplina; e a cultura da vontade, e a formação do caráter. E este curso completo de adestramento é feito no seio da natureza, na alegria da vida desportiva, pelo gosto próprio, pela pratica, pela lição das coisas. O escotismo forma homens e, ainda mais, heróis. É a heroicultura. Em cada escoteiro, no ultimo grau da iniciação, existe um "Agenor", no sentido do vocábulo grego: Homem de coração.

                  Há pouco tempo, em São Paulo, um educador, o Sr. João Kopke, numa conferencia, lembrou que os antigos gregos davam aos ephebos, "sem ensino especial de civismo, meios de cultura própria, apenas por um programa limitado, entre os sete e os dezoito anos, formando uma boa e bela forma de homem, com a sua inteligência, os seus sentimentos e o seus corpos treinados”. Não era aquele ensino da ephebia o mesmo ensino que hoje damos aos escoteiros? Mais ainda: o juramento do escoteiro no primeiro grau de iniciação, e os doze artigos do Código do escotismo são uma reprodução aproximada da afirmação, que os efebos espartanos e atenienses prestavam, quando, perante os magistrados, recebiam a lança e o escudo: "Nunca aviltarei estas armas, nem abandonarei o meu companheiro na fileira; combaterei pela defesa dos templos e da propriedade; respeitarei as leis; e transmitirei a minha terra própria, não só menor, porem maior e melhor do que me foi transmitida".

                     Mas o juramento e o código do escoteiro tem mais larga e mais bela significação do que a formula dor efebos. A moral e o governo de Esparta e de Atenas estreiteza e secura de egoísmo. Se quiserdes dar ascendência legitima, e foros e brasões de altas nobrezas a moderna criação do escotismo, deveremos radica-lo na tradição medieval da Cavalaria Andante. O grande ímpeto de desapego, de liberdade, de coragem e de altruísmo, que dispersou os cavaleiros andantes pelo mundo, foi o mais belo serviço da idade média. Os abusos da cavalaria não a mataram. Os exageros de uma virtude matam-se a si mesmos; e deixam viva e inalterável a força da alma que foi exagerada. Também, sobre o curso dos rios nas cidades despejam todos os dejetos da sua vida; a água, turvada e infamada, aceita com resignação a afronta; mas, em breve, libertada do contato dos centros populosos, na sua incessante agitação, torvelinhando sobre o leito de pedra e musgos, expurgando-se com o banho do ar livre, abluindo-se em si mesma, é daí a mesma linfa imaculada, reproduzindo a clareza e a virgindade da nascente. 

                   Assim, o sentimento de honra, que inspirava os paladinos. Que era aquela instituição? Uma exaltação da alma, que impelia para a gloria, para a justiça e para o desinteresse: os heróis errante eram bravos e pródigos, destemidos e puros: respeitavam e protegiam os fracos, defendiam as viúvas e os órfãos, subjugavam a tirania insolente, veneravam a mulheres e davam ao amor um culto religioso... Morreram os abusos, mas a essência sublime ficou... Enquanto houver brio e bondade no mundo, sempre haverá cavaleiros andantes. No escotismo - e é esta a sua maior e mais verdadeira beleza - a exaltação reveste-se de um distintivo prático, sem perder a sua poesia sublime. Na Cavalaria, às vezes, a idéia de honra era vaga: a da generosidade, indecisa; a da abnegação, indeterminada; às vezes, era o sacrifício perdido, a bravura sem proveito, a dedicação inútil. No escotismo, a idéia da honra define-se: é a honra do indivíduo, a honra do cidadão; o desinteresse e a magnanimidade não são apenas gestos formosos; são ações justas e úteis - justas para a perfeição humana, e úteis para a grandeza da Pátria.


                       Tal é, em suas linhas fundamentais, a criação do escotismo. A vos, meus companheiros de trabalho literário, cumpre a tarefa da propaganda, da organização e da direção em Minas, da nova heroicultura, linha de Baden Powell.

sábado, 9 de maio de 2015

Conselhos de um Velho Chefe Escoteiro. Parte II.


Conversa ao pé do fogo.
Conselhos de um Velho Chefe Escoteiro. Parte II.

             Outro dia publiquei aqui, alguns conselhos que julgava úteis para os novos chefes que ainda não conheciam bem o caminho do sucesso conduzir com êxito sua sessão Escoteira. Não sei se valeram, pois uma experiência que deu certo não pode ser guardada há sete chaves. Aqui estou publicando a Parte II. Quem sabe vira a III a IV e a V. Foram anos atuando em tropas e porque não passar meus parcos conhecimentos aos meus amigos e irmãos chefes Escoteiros?

-  Uma sessão Escoteira permanece em reunião por um tempo mínimo de duas horas e um máximo de três horas e meia. Isto uma vez por semana. Muito pouco. Portanto não temos o direito de perder tempo. É importante que se observe a pontualidade Escoteira não só no programa, mas em tudo que diz respeito à tropa ou Alcateia. Pontualidade é um dever até dos reis. E você também é responsável.

- É comum se perder tempo demais no cerimonial de abertura e encerramento. Às vezes todos os membros do grupo estão lá, cada um fala um pouquinho, uma explicação quase se transforma em um discurso. Já dizia o meu Chefe que os primeiros cinco minutos os jovens absorvem, dez minutos querem dormir, quinze minutos prometem a si mesmo não voltar mais.

- Promessas são de interesse dos membros da sessão. Promessas onde todos estão presentes desmotivam os que não participam da sessão dos promessados. Cada tropa ou Alcateia deve ter seu tempo para fazer as promessas e distintivos que interessam só a eles em reuniões onde só a sessão estará presente. Somente em casos especiais como Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria, cordões e condecorações devem estar presentes todas as sessões do grupo.

- Quem for convidado para hastear ou arriar a bandeira já deve ter sido instruído antes. Chefes que ficam a li ensinando, explicando e repetindo tomam o tempo deles e dos outros que estão assistindo. Bandeira é coisa seria. Toda sessão deve estar preparada para agir quando chamados. Os monitores são os responsáveis para adestrarem seus Escoteiros.

- Assistentes não estão ali para assistirem. Se não fizerem parte do programa no seu todo claro que irão desistir em pouco tempo. Devem aprender sim, mas deve ter a liberdade de ação em atividades que para eles foram designadas ou escolhidas.

- Aconselho sempre aos chefes que tenham um canto na área de reunião para ser o Canto da Patrulha. Eles mesmos devem fazer seus tamboretes, mini bancos e que ao terminar a reunião são guardados na sede. Nos cantos eles têm liberdade para conversar, treinar, adestrar e discutir temas de interesse da patrulha. Em qualquer ocasião de tempo livre (onde o Chefe deixa que os monitores dirijam suas patrulhas) elas estarão em seus cantos de patrulhas.

- O Chefe como bom observador deve verificar de longe como está agindo o Monitor. Se ele está sendo amigo de todos, se está orientando ou se fica de olho no Chefe aguardando uma chamada. Tudo isto deve ser muito bem conversado e discutido em Corte de Honra. O Chefe que não tem atividades com seus monitores, tais como excursões ao ar livre, acampamentos ou outro tipo de reunião, nunca terão monitores motivados e ou adestrados suficientemente para dirigirem suas patrulhas.

- É importante que os gritos de chamada, apitos e outros sejam esporádicos. Sinais manuais existem para isto e todos devem conhecer cada um. Uma patrulha quando forma não espera o grito do Monitor. Ele em forma faz o sinal de atenção (sem olhar para trás) o de descansar e o firme ou alerta. Aguarda o Sub Monitor que é o ultimo dizer a ele: - Monitor patrulha pronta. Só então ele apresenta ao Chefe.

- Nenhum patrulheiro gosta de ser o intendente, lenhador, aguadeiro, almoxarife, cozinheiro, instrutor, ou mesmo um escriba se não for bem motivado. Não se determina. Tenta-se chegar a um consenso de escolha pessoal. Na última hipótese que seja por sorteio. Nas reuniões o Chefe deve ter um sistema para chamar cada um destes encargos e conversar com eles sobre algum tema do interesse da patrulha. Dois três minutos já é uma boa motivação.

- Eu conheci chefes que tinham bandeirolas pequenas de cada cor para identificar cada um dos patrulheiros e suas funções. Por exemplo: - Azul, chamando o cozinheiro, verde chamando o intendente e assim por diante. Pode ser amarrada em um bastão ou quem sabe utilizar o mastro que quase não se utiliza na sede.

- Jogos onde só tem um vencedor não motivam. Os que erraram ou saíram do jogo não tem o que fazer. Ficam parados assistindo e muitas vezes aproveitam para fazer outras atividades que não são próprias de Escoteiros. Isto serve para Falsas Baianas, Comando Crow e Cabeça de Minhoca que um faz e os demais ficam assistindo. Fogos de Conselho onde só um representa não é certo. A patrulha é quem deve estar a frente de tudo. Os jogos devem na medida do possivel devem ter toda a patrulha disputando. Ou ganha uma ou outra. Esse tal de sou o melhor não pega bem para Escoteiros.

- Existe uma grande preocupação com jogos por parte dos chefes. Porque não experimentar e deixar por conta dos monitores a maioria? Cada patrulha fica encarregada por um ou dois cada reunião. Assista, veja as vantagens e desvantagens. Mas não esqueça, sempre reúna a tropa por um tempo mínimo de dez minutos sentados em círculos deixando a discussão livre. Só assista e tire suas conclusões.

- Cá entre nós, umas duas ou três reuniões de sede são o bastante. Acima disto pode saber que muitos irão desistir e ou não aparecer mais. Não é tão difícil sair da sede, seja de ônibus, de trem e passar um gostoso dia em local afastado. Porque não treinar o Passo Escoteiro? Porque não treinar o Passo Duplo? Porque não fazer um belo reconhecimento de pássaros e insetos? “Afinal siga as palavras de Kipling: - Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido”.

- E, por favor, escolha uma boa estrada carroçável e quase sem movimento nas suas andanças para o campo. Esqueça a fila, danada de fila que já existem todos os dias na escola. É gostoso demais ter liberdade para andar nos campos, junto a amigos, conversando trocando ideias e aprendendo com a natureza. Deixe um na frente que não pode ser ultrapassado e outro atrás que ninguém pode ser ultrapassado por ele.

- O bom Chefe observa, olha, aprende e vive os sonhos que eles estão vivendo sem interferir. Não grite, não apite demais. Vá viver na natureza e aprenda com ela. Seu silencio vai lhe ensinar muita coisa. Quem disse que a fé move montanhas; pequenas ações movem o mundo e pequenos sentimentos movem o universo?


-"O amanhã é nosso. Somos do mesmo sangue, tu e eu...  Boa caçada”!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Você já viu as flores silvestre escoteiro?


Conversa ao pé do fogo.
Você já viu as flores silvestre escoteiro?

                           Elas estão lá. Ainda existem as flores silvestres! Nos campos! Nas campinas! Nas montanhas verdejantes! Quantas vezes eu colhi pétalas de margaridas, de violetas, de jasmim e centenas de rosas selvagens, brancas, vermelhas, cujo perfume trouxe ao olfato deste "Velho" mateiro um aroma incomparável. Que belo jardim eu sempre via nas minhas andanças pela natureza. Centenas e milhares de flores cada uma mais linda que a outra. Milhares de abelhas douradas e beija flores azuis e dourados a voejar pelos céus, Ele vão à procura do caule tão saboroso para que possam sobreviver. Você sabia Escoteiro, que nós somos os exploradores da natureza? Vamos para onde o vento nos levar, podemos Ir para o campo e admirar as belezas naturais. E lá que encontramos uma bela montanha e ver o nascer e o por do sol. Tudo no campo é lindo, belo, mas é preciso saber enxergar. Temos que olhar com atenção, descobrir aos poucos as beleza das flores, dos pássaros, do zumbido dos insetos.

                    Não existe alegria maior que descobrir o encanto de ver um casal de pássaros a construir seu ninho. Não existe alegria maior que ver lá no alto de uma grande árvore uma floresta impenetrável, sorrir ao ver uma orquídea branca como há desafiar o tempo que nasceu. Sentar a beira de um regato e ficar olhando as águas claras e límpidas a correrem em direção ao mar. Ver no fundo o ballet dos peixinhos que alegres e saltitantes estão a buscar o alimento ou quem sabe a brincarem seus folguedos de uma tarde quente de verão. Tirar o sapato mergulhar os pés nas águas cristalinas de uma nascente, sentir um calafrio a percorrer o corpo, uma sensação gostosa e acariciante. Encontrar uma folha que substituiu a caneca e mergulhada na água traz algumas gotas d’água brilhantes para amainar nossa sede.

                          Você por acaso Escoteiro, um dia deitou a sombra de uma arvore olhou suas folhas, seus galhos, viu entre os troncos os pássaros que por ali passam e param para um descanso. Já viu um Bem-te-vi, um Pardal amarelo? Quem sabe um Pássaro Preto ou mesmo um alegre Gavião com suas asas curtas, a perscrutar o horizonte. Já levou um susto com o canto da Cigarra? Conseguiu Identificar a beleza dos insetos que ali estão a subir em seu tronco e ver quanta vida e história aquela árvore centenária possui? São coisas nossas Escoteiro, só nossas que amamos as belezas que o Criador nos deu. Quanta alegria então quando se vê um Quati, um Tamanduá Bandeira, um Tatu Bola a esconder no seu buraco infernal. (cuidado, perigo de cobras – risos). Tantas coisas lindas a serem vistas e descobertas. Se você meu amigo Escoteiro ou "Chefe" ainda não observou tudo isto não deixe o tempo passar.

                     É tão gostoso partir para o campo, respirar o ar puro da floresta, suspirar o doce aroma da natureza, saborear lindas nuances que se apresentarão de forma diferente para os olhos de um bom mateiro. São coisas gostosas da vida escoteiro. São coisas nossas. Não deixe deixar passar a oportunidade enquanto é Escoteiro. Isto meu amigo, vale mesmo a pena. Viva a natureza como ela é. Levante cedo. Veja o nascer do sol, olhe ao redor, veja a montanhas que agora estão se tingindo de dourado, olhe o lago, olhe o regato que suavemente vai de mansinho à procura do mar. E quando chover ouça a chuva, veja os pingos a caírem e produzirem sons fantásticos. E quando o sol estiver pleno, olhe as pradarias ou a relva que ao sabor do vento se divertem nas campinas. Um poeta disse que a natureza faz com que nós homens nos pareçamos uns com os outros e nos juntemos. A civilização faz que sejamos diferentes e que nos afastemos. Verdade?

                          Charles Dickens em sua sabedoria escreveu que a natureza dá a cada época e estação algumas belezas peculiares; e da manhã até a noite, como do berço ao túmulo, nada mais é que uma sucessão de mudanças tão gentis e suaves que quase não conseguimos perceber os seus progressos. Não espere mais, vá, parta para o campo, escotismo é campismo. Escotismo é ar livre, escotismo é descoberta, escotismo é aventura. Seja mais um de nós que conseguiu descobrir as belezas da natureza. Venha se juntar a nós, venha aprender como todos uma vida plena de amor com o que Deus nos presenteou. E fazendo isto, tenho certeza, que vai sentir-se bem, e depois irá se regozijar por ser um Escoteiro.


Boa noite meus amigos, e lembrem-se a natureza que o Criador nos deixou é prova viva de sua existência. Durmam com Deus!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Meu amigo Sênior, minha amiga Guia, posso lhes falar francamente?


Conversa ao pé do fogo.
Meu amigo Sênior, minha amiga Guia, posso lhes falar francamente?

                          Desculpe, sei que aqui não é o melhor lugar. Estou entrando quem sabe em seara alheia. Não sou Professor, religioso aconselhador e psicólogo. Sou apenas um Chefe Escoteiro e pai. Gostaria de falar com vocês meu jovem Sênior e minha jovem Guia. Só vocês dois. Os outros mais velhos não precisam. Ele já tem suas vidas formadas e minhas palavras serão como o vento a soprar a noite no deserto dos sonhos. Para ser sincero nem sei se devia falar. Dizem que se conselho fosse bom seria vendido e não gratuito. Nosso amigo Baden Powell já disse certa vez que um homem passou por tudo na vida quando chega aos sessenta anos e os jovens não acreditam no que eles falam. Claro, dão-se conselhos, mas não se dá a sabedoria de aproveitá-los. Acho que foi um poeta quem disse isto.

                          A idade de vocês é uma idade de alegrias e decepções, uma idade onde as preocupações se iniciam, onde a vida e o mundo são olhados de outra forma. Considero uma idade difícil de ultrapassar. Não tão fácil como a passagem do lobinho, ou a do Escoteiro, rota agora é diferente, ela se tornou mais séria. Vocês um dia vão encontrar em seus caminhos, em cada esquina muitas trilhas para escolher. Os sinais de pistas que aprendemos como escoteiros ficaram para trás. Agora é um novo sinal de pista. Muito mais difícil. Fazer a escolha certa é uma arte que aqueles bons mateiros sabem como enfrentar. Isto faz parte da vida e todos nós possuímos o livre arbítrio, a liberdade de escolha para decidirmos qual caminho ou trilha vamos seguir. É difícil escolher a certa. Depois de escolhida não dá para voltar atrás. Podemos sim escolher outra e quem sabe iremos acertar desta vez? Bem nosso amigo lá do céu sempre diz que podemos recomeçar. Recomeçar repito, pois o que está feito está feito. São escolhas difíceis.

                      Em cada etapa vencida neste caminho irão ver em cada esquina pessoas a oferecer a ociosidade, a alegria fácil a ter tudo sem fazer nada. É um mundo colorido que não existe a não ser no imaginário. Como dizem por aí – Não existe almoço grátis! Risos. O primeiro cigarro, o primeiro copo de uma gostosa bebida onde o mundo ficará divertido e as nuances que lhe acompanham deixarão de existir por alguns instantes. Alguns mais afoitos lhes dirão que tem muito mais. Um cigarrinho estranho aqui, outro ali, e tudo vai chegando como uma avalanche que não foi decidida de uma vez, mas paulatinamente. Tudo na vida tem de ter um começo o difícil mesmo e ver onde está o fim. Se quiserem ter uma vida honesta e vencer não deixem para amanhã o que tem de fazer hoje. Começar agora! Se quiserem ser alguém com os princípios sadios do escotismo comecem desde a escola até chegar à faculdade. Fácil. Começar é fácil. Difícil mesmo é decidir em cada esquina aonde ir. Quando a trilha foi bem escolhida tudo bem, mas se a escolha foi outra como disse antes é difícil voltar atrás.

                              Quando alguém lhes oferecerem um caminho cheio de estrelas brilhantes, cuidado. Podem ser um caminho sem volta. Um cigarro hoje, outro amanhã e você dizendo, nada que preocupa. Posso deixar quando quiser. Engano. Não vai ser assim. O mesmo com o copo da bebida gostosa, do cigarrinho feito à mão e de tantas outras armadilhas que vai encontrar pelo caminho. Se você participa do movimento é mais fácil. Seus amigos seniores e guias, seus chefes estarão lá  para lhes dar conselhos amigos! São tantos que confiamos e esqueça aquele que pode te decepcionar. É minoria.

                                Conselhos, ah! Conselhos. Você ri. Os recebe todos os dias de seus pais, dos seus professores do seu líder espiritual. Bah! Não é assim que dizem? Mas como gosto de me espelhar em frases eu digo o mesmo, quem não escuta conselho caros jovens escuta coitado! Arrepender depois pode ser um sofrimento enorme, uma dor profunda de arrependimento, machuca muito e vai doer lá dentro na mente e no coração. Não aceitem o primeiro cigarro, não aceitem o primeiro copo. Não aceitem o primeiro cigarrinho feito à mão. Eles podem levar vocês a caminhos nunca imaginados e nunca sonhados por escoteiros e escoteiras com formação digna.

                          Temos exemplos mil por todo caminho que passamos. Alguns que venceram vão vencer sempre. Sabem o que querem e fazem de suas vidas o caminho do sucesso. São aqueles que adoram a natureza, colocam uma mochila e saem por aí. Deitam na relva e olham estrelas brilhantes no céu. Riem-se entre si com piadas alegres e recordam da alimentação queimada que fizeram. Levantam cedo e apreciam o nascer do sol. Vivem uma vida saudável para ver novamente o por do sol em uma tarde linda e gostosa. Por isto meu caro Sênior e minha cara Guia não sei se falei para o vento. Espero que minhas palavras não seja levado pelo vento inutilmente. Até é possível que vocês nem precisem delas. Meu conselho não sei se foi em vão. Acredito que já sabem separar o real do imaginário, o verdadeiro do falso.


                         É difícil seguir a lei, mas é fácil lembrar que o Escoteiro é puro nos seus pensamentos nas suas palavras e nas suas ações. Bom isto. Fico alegre. Graças a Deus que são dignos de sua promessa e mantem viva na mente a chama da Lei Escoteira. Parabéns jovem Sênior. Parabém jovem guia! Quando a hora da dificuldade chegar, lembrem do nosso Chefe Baden-Powell, dêem um grande sorriso, lembrem-se de sua promessa. O Escoteiro tem tudo para vencer as adversidades. A Lei vai ajudar muito e não esqueçam como um Velho Escoteiro eu estou muito orgulhoso de vocês!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Código de Honra.


Hora de dormir, amanhã é outro dia...
Código de Honra.

            Não existe nada mais belo no escotismo que sua filosofia e um método de ensino que não deixa nenhuma margem a dúvida. Baden Powell foi muito feliz em tudo que fez. Formar homens de caráter honra e ética e isto forma um tripé dos mais importantes que temos em todo nosso programa Escoteiro. Desde cedo aprendemos e ensinamos aos jovens o que é honra. Fala-se tanto nesta palavra que muitas vezes nos perdemos nela. Poderia ficar horas e horas comentando sobre honra, mas hoje vou deixar vocês mesmos pensarem e analisarem. Tenho certeza que irão conseguir exemplificar esta palavra tão sublime e que se ela ficasse gravada por todos os homens e mulheres do mundo a vida seria outra:

            A Lei escoteira é um código de conduta, assumido ao se realizar a Promessa escoteira, onde se retêm as principais características do movimento escoteiro, a honra, a palavra, dignidade, lealdade, prestabilidade, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade e disciplina, ânimo, bom-senso e respeito pela propriedade, integridade. Seja Escoteiro, orgulhe-se de você!


Boa noite durmam com Deus!

sábado, 2 de maio de 2015

Quinze horas de terror.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Quinze horas de terror.

                      Aconteceu quem sabe na minha imaginação. Sou contador de histórias e se não foi verdade a culpa não é minha. Afinal dizem que tenho uma imaginação fértil. Foi o Chefe Fontana quem me contou. – Chefe Vado, vou lhe contar a história de Katia. Katia era guia. Da Patrulha Sete Quedas. Katia adorava o escotismo. Estava nele desde lobinha e nunca perdeu uma reunião, um acampamento. Ela, entretanto tinha um segundo amor em sua vida. Orquídeas. Era louca por orquídeas. Em casa tentava fazê-las viver e rejuvenescer. Nem sempre conseguia. Tudo que escreviam ou falavam sobre elas ela lia. Ela nem bem fez quinze anos e a passaram para guia. Disseram que era uma tropa nova formada só para moças da idade dela. Ela achou bom. Teria maior liberdade o que não acontecia quando sub-monitora na tropa Escoteira. Ela sabia que havia mais de trinta mil espécies de orquídeas e fáceis de cultivar em casa. Lindas, coloridas, perfumadas cabiam em qualquer lugar e como era cuidadosa duravam anos. Seus amigos e até um professor de seu colégio já tinha ido visitar seu orquidário.

                         Nos acampamentos sempre tentava descobrir alguma árvore, próximo ou não de uma floresta que tivesse uma orquídea. Quem sabe descobria alguma que não conhecia. Lorena sua monitora já a alertara diversas vezes para nunca sair sozinha e sempre avisar aonde ia. Claro o tempo livre era pouco e Katia não perdia tempo. Já tinha dois dias que estavam acampadas em um sitio e bem próximo uma linda floresta. Ela tinha certeza que iria encontrar lá a “Phalaenopsis”, pois o ambiente da floresta com pouca humidade era próprio para isto. No segundo dia logo após o almoço sabia que haveria um tempo livre de pelo menos três horas. Não era a cozinheira e pela manhã tinha construído uma bela mesa com bancos reclináveis.

                               Sabia que não devia sair só, mas estavam todas tão entretidas com seus afazeres que escapuliu e se embrenhou na mata. – Só vou olhar e volto logo. Não andou muito. Próximo a um pequeno vale bem profundo ela avistou em uma árvore o que achava ser uma “Phalaenopsis”. Não se fez de rogada. Tirou a blusa de frio e lá foi ela arvore acima, pois tinha um bom treino em subir em árvores. Encantou-se com a orquídea. Linda, maravilhosa. Esqueceu que estava em uma arvore escorregadia. Caiu, um tombo enorme, quando batia nos galhos da árvore sentiu que um galho havia atravessado sua coxa esquerda. Na hora não sentiu nada, pois rolou em uma ribanceira caindo entre um vale onde havia uma vegetação espessa que escondia tudo o que havia por ali.

                                Agora sim, ela sabia que não podia mexer com a perna. Uma dor terrível. Um braço estava quebrado. Não podia se movimentar. Teve vontade de chorar, pois sabia que ali dificilmente iriam encontrá-la. A tarde chegou e veio à noite. Ouviu vozes e gritos tentou gritar e não conseguiu. Alguma coisa a impedia de falar. Logo o silencio da noite voltou novamente. Para Katia seria uma noite de terror.

                          A Patrulha deu falta dela logo após a chamada geral. Busca daqui e dali e nada. O desespero passou a acompanhar todos os participantes. A Chefe Maria Célia ligou para os bombeiros na cidade. Não demoraram e antes do escurecer mais de vinte homens experimentados na arte de sobrevivência na selva lá estavam. Até meia noite tentaram, depois não se via nada e o local de difícil acesso. O melhor era esperar o dia seguinte. Uma nevoa espessa e terrível tomou conta da floresta. Não se via um palmo adiante do nariz. Todos choravam. Ninguém conseguia dormir. Os pais de Katia chegaram. Ainda bem que eram calmos. Diziam confiar na filha e em Deus. Ela tinha experiência e não se deixaria levar pelo desespero. Aconteça o que acontecer.

                      Miltinho tinha cinco anos. Todos o chamavam de manteiga, porque ele não sabia. Afinal não era chorão e até muito vivo para sua idade. Sua mãe era assistente da tropa. Não tinha com quem deixar e o levou para o acampamento. Ele dizia ver coisas. Ninguém acreditava. Coisas de crianças falavam. Chamou sua mãe. – Mamãe, eu sei onde ela está. A mãe não acreditou. Ele pegou na mão do Capitão Marquetti. – Venha comigo, eu sei onde ela está. O capitão o olhou de soslaio. Resolveu segui-lo floresta adentro. Passava das quatro da manhã. O dia ainda não tinha amanhecido. – Ali ele apontou. O capitão Marquetti desceu até a ravina. Katia estava lá. Desmaiada. Praticamente com avançado estado de hipotermia. Sonolenta não ouviu e nem sentiu a chegada deles. O Capitão Marquetti viu que seu ritmo respiratório a estava levando a uma parada cardíaca. Se tivessem demorado mais meia hora Katia teria morrido.


        Ele chamou pelo radio os outros bombeiros que estavam no acampamento esperando o dia clarear. Levaram Katia ao hospital. Um mês depois ela estava em casa. Não houve sermões, admoestações ou ameaças. Ela voltou a Patrulha e a tropa. E agora nunca mais, mas nunca mais sairia sozinha do campo de Patrulha. Bastou àquelas quinze horas de terror para aprender a lição. Que sirva para todos os meus amigos escoteiros.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Hora de dormir, ouvindo estrelas...



Hora de dormir, amanhã é outro dia...

Ouvir Estrelas
Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouvi-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo”!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas


Boa noite meus amigos e amigas. Quando eu me for estarei em uma estrela qualquer orando por vocês!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Conselhos de um Velho Escoteiro.



Conversa ao pé do fogo.
Conselhos de um Velho Escoteiro.

               Hoje levantei sorrindo. Atualmente nem sempre faço isto, mas hoje foi diferente. Pensei com meus botões (onde andam os botões? Minhas roupas não têm mais – risos), continuando, pensei com meus botões: Porque não passar um pouco do que aprendi para amigos chefes que podem se interessar? Logo me veio à mente aquela metáfora: “Se conselhos fosse bom seria vendido”, mas a outra apareceu logo em seguida: - “Quem não escuta conselho escuta coitado”! Sei que BP escreveu que os velhos passaram por muitas fases na vida, aprendendo e quando chegam a certa idade os mais novos não querem saber de ouvi-los. Ele tem razão, mas são teimoso. Aqui vai alguns e gratuito.

- O escotismo é uma filosofia de vida somente. Não é uma maneira de vida. Pensemos que nossa colaboração é espontânea, mas temos uma família, uma atividade profissional, amigos não Escoteiros e outros familiares que sempre contaram conosco. Lembrar-se sempre que ter o escotismo no coração é uma coisa, dedicar tempo demais é outra;

- Nosso movimento pretende colaborar na formação do jovem em sua família, na escola e se for necessário na sua religião. Nunca vamos substitui-los. Não somos pais, professores e nem religiosos para assumir tal função;

- Lembremos que somos para eles os jovens uma espécie de heróis. Tudo que fizermos eles farão também. Portanto nossos atos e ações devem ser medidos como exemplo e lembrarmos que nossa falha irá influir na formação deles;

- Devemos trabalhar com o todo mas pensar que cada um tem sua maneira de vida. Cada jovem tem seu estilo pessoal e devemos entender e nos aproximar dele sempre para podermos ajudar. Nosso trabalho é fazer com que todos permaneçam por muitos anos como escoteiros;

- Uma Alcateia e uma Tropa devem ter como objetivo conseguir pelo menos três patrulhas com seis cada uma ou três matilhas com seis também. Dificilmente conseguiremos desenvolver a Mística da Jângal ou o Sistema de Patrulhas com as tropas e alcateias em número reduzido;

- Na Tropa Escoteira se o Sistema de Patrulhas não for bem aplicado, se o Chefe não tiver uma noção de como ele é e como funciona dificilmente se conseguirá os resultados da formação e do desenvolvimento do jovem no método Escoteiro;

- Nenhum Chefe ou Akelá tem a função de faz tudo. Tem que aprender a trabalhar com os jovens, dividir tarefas e confiar. Só se aprende a fazer fazendo. Primos e Monitores não são apenas nomes ou jovens que vão à frente para dar ordens. Cada um deve ser bem formado nas suas responsabilidades e isto se faz frequentemente;

- O trabalho dividido com os monitores ou com as próprias patrulhas e matilhas, dão excelentes resultados. Quem se sente responsável fica mais tempo e valoriza mais o aprendizado;

- Os melhores programas de reuniões são aqueles que os jovens participaram com sugestões e ideias. Um tempo para a patrulha falar sobre isto, um tempo para a matilha sentir sua responsabilidade no programa, uma Corte de Honra funcionando, Patrulhas conversando e se adestrando são os melhores caminhos para uma ótima reunião;

- Uma vez por mês tirar alguns minutos para um Conselho de Tropa. Ouvir sempre é bom, deixe os jovens ficarem a vontade, não interrompa mesmo que se sinta ofendido. Lembre-se que não é só você quem vai decidir tudo. Tenha sua biblioteca Escoteira. Leia pelo menos um livro por mês. Não só os jovens mas você também pode aprender a fazer fazendo;

- Nosso Movimento é uma fraternidade livremente aceita, e  não tem caráter de obrigação,  o adulto só atua com supervisão. Ele (o Escotismo) pretende fazer com que o jovem participe de uma sequência de atividades, adaptadas a sua idade, exercitada principalmente ao ar livre, ajudando uns aos outros, confiando-lhes responsabilidade e assim acreditando que seu caráter se afirme. Só assim é possível que ele se torne um líder de sí próprio e pronto a assumir seu lugar na sociedade;

- Os jogos fazem parte das atividades Escoteiras. Não se preocupe com eles. Uns minutos para que a tropa entenda sua responsabilidade nas sugestões e confecções dos jogos. Uma lembrança para que cada Escoteiro pesquise sobre jogos durante a semana, e que cada um deve trazer por escrito o melhor que escolheu, o Chefe terá uma enormidade deles ao seu dispor, e o melhor, foram escolhas deles;

- O escotismo nos trouxe um método novo de educação, e que se apresenta de uma maneira simples e atrai os jovens pela sua própria simplicidade. Alguém disse que os bons chefes são os amadores. Os profissionais costumam com sua técnica não fazer um escotismo alegre e fraterno. Ele tem uma linguagem fácil, muito afastada dos termos técnicos utilizados no mundo pedagógico e sociológico de hoje. Não complique, faça tudo de maneira simples e vais ver que terás excelentes resultados.

- A prática da demonstração e a da descoberta, às atividades ao ar livre e a aprendizagem em pequenos grupos (patrulhas e matilhas) de fazer para aprender, são técnicas escoteiras que conhecemos e a base de formação pelo método Escoteiro;

- Somos ainda um movimento muito fechado. Sem perceber nos prendemos dentro de uma sede e isto nem sempre trás os resultados que os jovens esperam. Atividades de ajuda ao próximo são importantes, mas lembre-se sempre: - O Jovem entrou para o escotismo pensando que teria uma vida aventureira, uma vida ao ar livre, que iria aprender técnicas mateiras, construir sua própria barraca, fazer sua própria refeição, descobrir novos caminhos, passar a noite em uma floresta. Isto é possivel mesmo na época atual.

- Escotismo é movimento. Não é uma classe de aula. Ensinar dentro de sede, usar um quadro negro, escrever e tantas outras coisas que nos lembram da escola não trás os resultados esperados. Saia, ande use seus monitores. Costumo dizer que quem fala além de dez minutos perdeu tudo que disse aos seus escoteiros. Acampamentos são inesquecíveis. Aprenda o método de Giwell e acampe a vontade. Deixe-os andar com suas próprias pernas;

- E finalizando, às técnicas de aprender fazendo e tentar fazer sem saber, até descobrir o certo através do erro, sempre foram partes do método Escoteiro. Confiar no rapaz para que ele próprio seja responsável pela sua auto-educação e disciplina sempre fez parte do Escotismo. Faça sua parte, aprenda a ouvir e pensar. Os meninos dão grandes exemplos com isto.


Volto em uma continuação claro, se os leitores acharem que devo!

sábado, 25 de abril de 2015

O valor de um sorriso.



Conversa ao pé do fogo.
O valor de um sorriso.

                  Não custa nada e rende muito. Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá. Dura somente um instante, mas seus efeitos perduram para sempre. Ninguém é tão rico que dele não precise. Ninguém é tão pobre que não o possa dar a todos. Leva a felicidade a todos e a toda parte. É o símbolo da amizade, da boa vontade. É alento para os desanimados, repouso para os cansados, raio de sol para os tristes, consolo para os desesperados. Não se compra nem se empresta. Nenhuma moeda do mundo pode pagar seu valor. Você já sabe do que se trata?

                - Trata-se de um sorriso. E não há ninguém que precise tanto de um sorriso como aqueles que não sabem mais sorrir. Aqueles que perderam a esperança. Os que vagueiam sem rumo. Os que não acreditam mais que a felicidade é algo possível. É tão fácil sorrir! Tudo fica mais agradável se em nossos lábios há um sorriso. Tudo fica mais fácil se houver nos lábios dos que convivem conosco um sorriso sincero. Alguns de nós pensamos que só devemos sorrir para as pessoas com as quais simpatizamos.

               - São tantas as que cruzam nosso caminho diariamente. Algumas com o cenho carregado por levar no íntimo as amarguras da caminhada áspera. Poderemos colaborar com um sorriso aberto, no mínimo para que essa pessoa se detenha e perceba que alguém lhe sorri, já que o sorriso é um alento. Sorrir ao atender os pequeninos que acorrem nos semáforos à procura de moedas. É tão triste ter que mendigar e mais triste ainda é receber palavras e gestos agressivos como resposta.

               - Se for verdade que essa situação nos incomoda, não é menos verdade que não gostaríamos de estar no lugar deles. Eles são tão pequeninos! - Se tiverem a malícia dos adultos é porque os adultos os induzem a isso. Mas no íntimo são inocentes treinados para parecer espertos, em meio às situações mais adversas. O sorriso é uma arma poderosa, da qual nos podemos servir em todas as situações. Se, ao levantarmos pela manhã, cumprimentarmos os familiares com um largo sorriso, nosso dia certamente será melhor, mais alegre.

            - Se, quando chegamos ao Grupo Escoteiro, saudarmos com um sorriso os que seguem conosco, ao invés de fecharmos o rosto e olharmos para cima ou para baixo, na tentativa de desviar os olhares, com certeza o nosso dia será mais feliz. Porque todos nos verão com simpatia e nos endereçarão energias salutares. O sorriso é sempre bom para quem sorri e melhor ainda para quem o recebe. O sorriso tem o poder de fazer mais amena a nossa caminhada. Dessa forma, se não temos o hábito de levar a vida sorrindo, comecemos a cultivá-lo, e veremos que sem que mude a situação à nossa volta, nós, intimamente, nos sentiremos mais felizes.

            - Tentem sorrir sempre. Se não sorriem para você, sorri para eles. Precisamos muito de sorrir no nosso escotismo maravilhoso. Esquecer os que não gostam de sorrir, esquecer os de mal com a vida, e se aquele que você ama, que você admira chegar olhar para você e dizer: Todos os dias eu só penso em uma coisa... Em seu sorriso. Do seu rosto poucas lembranças eu tenho. Mas o seu sorriso maroto, infantil não sai dos meus pensamentos... Não é bom demais?

           - O cenho carregado, ou seja, a cara amarrada, como se costuma dizer, traz ao corpo um desgaste maior que o promovido pelo sorriso. Isto quer dizer que, quando sorrimos, utilizamos menos músculos e fazemos menos esforços. Assim sendo, até por uma questão de economia, é mais vantajoso sorrir.

            - Ele traz felicidade em todos os lugares é um sinal de amizade e boa vontade é força para os desencorajados, um raio de sol para os tristes, esperança para os desesperados não se pode comprá-lo, não se pode emprestá-lo. Nenhum dinheiro tem o valor que possa pagar o seu valor, ninguém precisa mais de um sorriso, do que aquele que não sabe mais sorrir.


Sorria meu amigo, pois agora eu estou sorrindo também! Sempre Alerta!